domingo, 20 de julho de 2008

A Misteriosa Curva de Carnegie


Essa curva foi o resultado de medidas feitas, nos anos 20 do século 20, por pesquisadores do navio americano Carnegie. Ela mede a variação média do campo elétrico em uma posição qualquer da Terra, durante um dia típico, de tempo bom. Embora tenha sido obtida com medidas feitas apenas no oceano, ela serve, acochambrando um pouco, para posições nos continentes. A abcissa indica a hora em Londres (hora de Greenwich) e a ordenada mostra o valor do campo elétrico em outro ponto qualquer do planeta. Quer dizer: em um local qualquer do globo, o campo elétrico atinge um valor máximo quando são 7 horas da noite em Londres! E é mínimo quando são 4 horas da madrugada em Londres.
Esse resultado parece muito misterioso, mas, não é tanto assim. Basta lembrar que o capacitor planetário de Kelvin é um modelo global. Variações de potencial entre as "placas" só podem ocorrer globalmente, pois a boa condutividade na ionosfera (a "placa positiva") se encarrega de distribuir rapidamente qualquer acúmulo local de cargas. "Certo", você pode dizer, "mas, por que logo 7 horas da noite? Por que não outra hora qualquer"? Boa pergunta. Isso ninguém sabe explicar direito. Talvez você mesmo, algum dia, possa responder essa pergunta para nós.

Por enquanto, o que importa é que essa curva serviu para ajudar a identificar o gerador que mantém a diferença de potencial entre a ionosfera e o solo. Esse gerador são as tempestades, como veremos a seguir.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

China X EUA - A Nova Corrida à LUA



A China é capaz de enviar uma missão tripulada à Lua na próxima década se quiser, disse o diretor da Nasa (agência espacial dos Estados Unidos), Michael Griffin.
A agência americana pretende enviar astronautas à superfície lunar até 2020 com sua nova nave espacial Orion. Mas é possível que os primeiros seres humanos na Lua desde a missão Apollo 17 em 1972 estejam fincando no solo a bandeira chinesa, e não a americana.
Em 2003, a China se tornou o único país a colocar um homem em órbita além dos Estados Unidos e da Rússia.
Em entrevista à BBC News durante visita a Londres, Griffin disse: "Certamente é possível que a China queira colocar gente na Lua, e se desejar fazer isso antes dos Estados Unidos, com certeza ela pode. Em termos de capacidade técnica, ela pode, absolutamente."
Autoridades chinesas dizem que não há plano e não há cronograma para uma missão à Lua, e manifestaram dúvidas sobre a possibilidade de realizar uma até 2020. Plano ambicioso
O diretor da agência espacial chinesa, CNSA, Sun Laiyan, disse no ano passado, contudo, que uma excursão lunar é inevitável.
Há uma percepção entre alguns especialistas da indústria espacial de que o longo domínio dos Estados Unidos sobre a exploração espacial está acabando à medida que outros países entram nessa área.
Sobre a importância de se chegar à Lua primeiro, Griffin preferiu não se comprometer. "Eu não sou um psicólogo, então não posso dizer se tem importância ou não. Seria apenas uma opinião e eu não quero dar uma opinião numa área em que não sou qualificado."
Um relatório recente da empresa de consultoria americana, Futron, disse que outros países estão expandindo sua capacitação espacial em um ritmo surpreendente, "ameaçando a liderança espacial dos Estados Unidos".
A China enviou duas missões tripuladas ao espaço nos últimos cinco anos. A primeira foi em 2003 e manteve o astronauta Yang Liwei 21 horas em órbita da Terra a bordo da nave Shenzhou 5.
Na segunda, dois chineses a bordo da Shenzhou 6 passaram cinco dias em órbita. Uma outra missão tripulada deve partir em outubro, pouco depois dos Jogos Olímpicos de Pequim. Colaboração
Griffin disse que os Estados Unidos e a China agora estão dando os primeiros passos para uma colaboração na exploração do espaço.
- Eu acho que é sempre melhor para nós encontrarmos áreas onde possamos colaborar ao invés de brigar - disse o representante da Nasa, lembrando que a primeira cooperação entre americanos e soviéticos ocorreu em 1975, "virtualmente no auge da Guerra Fria".
- E isto levou, 18 anos depois, à discussão sobre o programa da Estação Espacial Internacional em que agora estamos envolvidos - disse ele. Índia
O programa espacial da Índia é menor que o da China, mas está avançando bastante. O país vai lançar sua sonda não tripulada Chandrayaan para a Lua ainda neste ano. A Índia também anunciou planos ambiciosos para um programa tripulado.
Desde que assumiu o posto na Nasa em 2005, Griffin esteve à frente da implementação de um plano do presidente George W. Bush com o objetivo de levar os americanos de volta à Lua até 2020 e enviá-los, em algum momento, a Marte.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Físico Brasileiro Contesta a Teoria do Big Bang

Um dos maiores críticos do Big Bang, Mário Novello, do Centro Brasileiro de Pesquisa Física (CBPF), propõe uma nova teoria para explicar o Universo: ele seria não só eterno, como também cíclico. A explosão que para muitos teria dado origem ao Cosmos seria, na verdade, um momento recorrente num ciclo eterno de retração e expansão, como mostra matéria de Roberta Jansen publicada nesta terça no jornal O Globo.
A nova teoria, elaborada em parceria com José Martins Salim, foi apresentada no início do ano na I Conferência de Cosmologia, Relatividade e Astrofísica, em Pescara, na Itália, e publicada na "Physics Report".
A teoria do Big Bang defende a idéia de uma explosão primordial que deu origem ao Universo e deixa em aberto a questão sobre o que haveria antes. Para Novello, trata-se de um "mito científico". Segundo o cientista, imaginar que o Universo proviria de um ponto singular, sem jamais oferecer informações sobre o que teria vindo antes, é pressupor que a física seja irracional.
- Isso não tem nada a ver com verdade científica - afirma Novello. - Você pode provar um dia que houve retração e expansão, mas não pode provar o Big Bang.
Por isso, desde os anos 70, Novello propõe o modelo do Universo eterno, em que o Big Bang seria o ápice de um período de colapso do Universo, seguido por uma fase de expansão que perdura até hoje. A idéia foi criticada durante muitos anos, mas, recentemente, passou a ser mais bem aceita.

Nasa descobre uma das Estrelas mais Brilhantes da Via Láctea


Um grupo internacional de astrônomos descobriu uma das estrelas mais brilhantes da Via Láctea, informou a Nasa. Batizada de "Nebulosa Peony", a estrela brilha com intensidade 3,2 milhões de vezes maior que a do Sol. Segundo Lidia Oskinova, astrônoma da Universidade de Potsdam, na Alemanha, e autora de um estudo sobre a nova estrela, é possível que outros corpos celestes tão brilhantes quanto a "Peony" estejam escondidos na nossa galáxia.
A dificuldade para encontrar a nova estrela pode ser explicada pela poeira cósmica. O título de mais brilhante da Via Láctea continua com a estrela "Eta Carina", cuja intensidade equivale a 4,7 milhões de sóis. Os cientistas afirmam, entretanto, que é difícil calcular o brilho de um estrela e, portanto, "Peony" pode ser até mais brilhante.
"(Peony) é uma criatura fascinante. Parece ser o segundo astro mais brilhante que conhecemos em nossa galáxia e está localizado nas profundezas do centro da galáxia", disse Lídia, segundo comunicado divulgado pela Nasa.

Segundo os astrônomos, a nova estrela tem massa entre 150 e 200 vezes maior que a do sol. Para localizá-la, os astrônomos usaram dispositivos infravermelhos do telescópio Spitzer da Nasa e do Observatório Europeu do Sul, localizado no Chile. Desta forma, os telescópios puderam penetrar em lugares impossíveis de alcançar apenas com a luz natural.
"A astronomia infravermelha abre panoramas extraordinários sobre o ambiente dominante na região central de nossa galáxia", explicou a astrônoma.
O estudo sobre a nova descoberta será publicado na revista Astronomy and Astrophysics.

A Física desvendando Crimes


A presença de físicos nas cenas de crimes e em análises subseqüentes é cada vez mais comum e não apenas em seriados de televisão, como mostra matéria de Roberta Jansen publicada nesta quarta no jornal O Globo. O tema foi abordado em palestra no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) pela perita Andréa Porto Carreiro, do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), responsável pelo Laboratório de Balística.
- A idéia é que a ciência leve subsídios para a investigação. E a física está em muitas áreas da criminalística - afirma Andréa, doutora em física na área de óptica e espectroscopia e também especialista em microscopia eletrônica de varredura. - Para analisar materiais, falsificação de documentos, nas técnicas de raio X, na microscopia, na análise acústica de vozes, na determinação da trajetória de balas e munições. Num caso de acidente de trânsito, por exemplo, é preciso aplicar conceitos de força, velocidade e massa.
E também do sangue encontrado no local, como ficou claro, recentemente, com os laudos técnicos divulgados no caso Nardoni, em que o pai e a madrasta de Isabela são acusados de terem matado a menina.
- O tamanho da gota de sangue, a forma como se dissipou, o estudo das manchas de sangue no local podem dar informações importantes sobre a dinâmica do caso - explica Andréa.

domingo, 13 de julho de 2008

Nasa encontra Fábrica de Estrelas


Telescópios que examinam fatos ocorridos há mais de 12 bilhões de anos localizaram uma galáxia que funcionava como fábrica de estrelas. Essa remota galáxia está (ou esteve) gerando até 4 mil estrelas por ano. A nossa Via Láctea, por exemplo, gera apenas dez estrelas por ano, segundo o estudo divulgado na quarta-feira.
- Esta galáxia está passando por um forte 'baby boom', produzindo a maioria das suas estrelas de uma só vez - disse Peter Capak, do Centro Científico Spitzer da Nasa, ligado ao Instituto de Tecnologia da Califórnia.
- Se nossa população humana tivesse sido produzida num surto similar, a maioria de todas as pessoas vivas hoje em dia teria a mesma idade - comparou ele em nota à imprensa.
Em artigo na revista Astrophysical Journal Letters, Capak e seus colegas disseram ter usado vários telescópios, inclusive o Spitzer e o Hubble, ambos da Nasa, para localizar essa antiga galáxia, que fica a 12,3 bilhões de anos-luz (ou seja, sua luz levou 12,3 bilhões de anos para chegar aos arredores da Terra).
Estima-se que o Universo tenha 13,4 bilhões de anos, o que significa que a galáxia estava "parindo" estrelas quando o Universo tinha apenas 1,3 bilhão de anos.

Teoria da Relatividade Passa em Mais um TESTE


Aproveitando-se de uma configuração cósmica única, astrofísicos conseguiram medir os efeitos previstos pela teoria da relatividade de Einstein, observando a gravitação extrema de dois pulsares em órbita um do outro, segundo estudo divulgados pela revista americana Science.
Em outras palavras, a teoria de 93 anos do 'pai da física moderna' passou num novo teste, destacaram cientistas.
Os pulsares são pequenos objetos estelares extremamente densos e que sobrevivem após a explosão de uma estrela em supernova.
A massa desta estrela é, na maioria das vezes, maior que a do sol, mas ela é muito pequena.
Estes pulsares giram em torno deles mesmos a uma velocidade vertiginosa e geram um gigantesco campo gravitacional, emitindo fortes faíscas em ondas radio que iluminam os radiotelelescópios na Terra como faróis à beira-mar.
Mais de 1.700 pulsares foram revelados nos últimos meses em nossa galáxia, a Via Láctea, mas este duplo pulsar ou pulsar binário, descoberto em 2003, é o único conhecido.
"Um pulsar binário cria condições ideais para verificar a teoria da relatividade porque quanto maiores as massas e quanio mais elas se aproximam umas das outras, maiores os efeitos da relatividade", explicou René Breton da Universidade McGill em Montreal, um dos autores destes trabalhos.
"A teoria de Einstein prevê que, num campo gravitacional, o eixo em torno do qual o objeto gira mudará lentamente de direção quando o pulsar passar na frente de seu par", como uma espiral ligeiramente inclinada no eixo de rotação oscila, explicou Victoria Kaspi da Universidade McGill.
Os pesquisadores puderam observar que um dos dois pulsares realizam perfeitamente este movimento quando o outro passa na sua frente, confirmando esta parte da teoria de Einstein de 1915.