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terça-feira, 21 de outubro de 2008

A Música da Teoria do CAOS


Depois de três minutos de "Caos Organizado" tocado numa estação de rádio britânica seguiu-se uma torrente de chamadas telefónicas de ouvintes. Queriam saber mais acerca do que tinham ouvido. Para alguns tinha sido uma experiência assustadora. E depois disso, diversos fãs continuam a escrever ao compositor - Phil Thompson - para descrever o quão profundo a música fractal lhes toca. Para alguns tornou-se até uma obsessão.
Phill Thompson é músico amador e gravou a primeira pista por curiosidade e acabou por editar o seu primeiro álbum de música fractal - "Organized Chaos" – em Outubro de 1998. Para criar a sua música só precisa de um computador e de uma equação simples que, por iterações sucessivas gera imagens complexas e espectaculares, ao pintar um determinado pixel do ecran de determinada cor, consoante a solução da equação obtida. Estas imagens fractais espectaculares e a matemática que a apoia inspiraram um crescente grupo de compositores, programadores e amadores.
As imagens fractais enfeitiçam não só pela sua beleza, mas também pelas suas formas extremamente complexas que surgem de equações muito simples. A mais famosa é conhecida por Conjunto de Mandelbrot e deve o seu nome ao matemático Benoit Mandelbrot que, em 1795 usou o termo "fractal" vindo do latim "fractus" que significa quebrar.
Hoje em dia, o estudo dos fractais insere-se, em parte, numa área da Matemática que é conhecida por Teoria do Caos. Não se trata de um caos completo. Estas equações são usadas para descrever fenómenos que não são nem totalmente aleatórios, nem completamente previsíveis, tais como o tempo, a bolsa de mercado ou a forma como crescem as árvores.
Qual é o som do caos? Nunca é o mesmo. Uma mistura de familiar e de novo, a complexidade da música tem notas que soam a jazz e a avant-gard. A música prende alguns ouvintes em quase suspensão quando pensam ter descoberto uma regularidade na melodia e já sabe o que se segue; mas depois a música acaba por dar uma volta completamente inesperada.
A base para caos em música é muito simples. Associa-se cada nota musical a um único número. Por exemplo, dó, ré e mi podem corresponder respectivamente ao números 1, 2 e 3. Quando a solução da equação que gera o fractal é 2, toca a nota ré. Cada vez que se resolve a equação obtém-se uma nova solução e uma nova nota de música.
O que se obtém pode ser bastante complexo.
David Clark Little, compositor e harpista usou programas de fractais para compor música nos últimos 10 anos. Diz que o processo é análogo ao dos compositores tradicionais que se inspiram em antecessores seus ou na natureza. A diferença é que, com a música fractal não sabemos o resultado da nossa inspiração até que tocamos a música e a ouvimos.
Thompson afirma: "Não se trata de uma composição mas sim de uma descoberta, e é mágico encontrar uma bela imagem fractal e depois apercebermo-nos que tem uma bonita peça de música na sua fórmula em determinado ponto ou pontos."
Forest Fang, um músico de Richmond, na Califórnia, usou programas de fractais para criar algumas das peças do seu último álbum, The Blind Messenger. Até quatro anos antes, o músico Sino-Americano sabia muito pouco acerca de computadores e muito menos acerca de programas de música fractal, nos quais se tornou, desde então, um expert.
Em Outubro passado, ocorreu em Sacramento, na Califórnia, o primeiro espectáculo de uma ópera moderna produzida por George Coates Performance Works e baseada em músicos inspirados por música fractal. Uma das peças da produção entitulada "Two Boats and a Moon" incluía 20 crianças de um coro para entoar uma melodia acompanhada por uma base de piano. Tanto a melodia como a base foram criadas fractalmente.
O crítico de música alternativa Matt Howarth vê grande parte da música fractal como "fraca", a menos que criada por alguém com o dom da composição. "A tecnologia é muito bonita, mas é apenas uma ferramenta e requer talento para a utilizar."
Ainda não se sabe bem como utilizar e em que categoria colocar a música fractal, mas é certo que tem suscitado reacções das mais diversas o que mostra que não passa indiferente às diversas opiniões. Talvez porque combina, de forma perfeita, o previsível e o acaso, a repetição e a surpresa, o familiar e o desconhecido.
Assim, independentemente de gostarmos ou não do tipo de música que é gerada através de fractais, é interessante observar as diversas formas que assume a Matemática que se entranha numa mescla de Tecnologia-Ciência-Arte, resultando numa curiosa miscelânea de Criação-Descoberta-Expressão Artística que aproxima o Homem da Ciência-Arte dos Números.

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